Saturday, October 11, 2008

Fareed Zakaria entrevista PM Chinês

Zakaria: Posso colocar-lhe outras questões? O Dalai Lama disse recentemente que aceitaria que a China governasse o Tibete, que aceitaria o sistema socialista no Tibete e que tudo o que pede é a autonomia cultural e um certo grau de autonomia politica. Ao que parece as conversações entre os governos tibetano e chinês encontram-se num impasse. Tendo em vista o seu poder e as suas capacidades de negociação, porque é que o Sr. e o/ou o Presidente Hu Jintao não negoceiam directamente com o Dalai Lama e resolvem este assunto de uma vez por todas para o beneficio do povo Chinês e do povo tibetano que também se encontra na China?

Wen Jiabao: A nossa questão com o Dalai Lama não é étnica, religiosa ou cultural. Trata-se de uma questão de princípio que diz respeito à salvaguarda da unidade do país ou com a permissão de acções que contribuem para a sua separação. Temos de adoptar duas visões no que diz respeito ao Dalai Lama. Por um lado, é verdade que o Dalai Lama é um líder religioso, particularmente nas regiões onde os habitantes acreditam no Budismo. Por outro, temos de ter em atenção que o Dalai Lama não é uma simples figura religiosa. O Governo no exílio fundado pelo Dalai Lama pratica uma regra teocrática. E o objectivo deste governo no exílio é separar o Tibete da China.

Em muitos lugares à volta do mundo, o Dalai Lama fala da ideia de autonomia na maior região tibetana. E a autonomia que defende é usar a religião para intervir na política. Querem separar a grande região tibetana da sua pátria. Muitas pessoas nos Estados Unidos não fazem ideia do que é a grande região tibetana, a dita grande região tibetana, aclamada pelo Dalai Lama, abrange o Tibete, Sichuan, Yunnan, Qinghai e Gansu, todas as cinco províncias. E a área que abrange a grande região tibetana é um quarto do território chinês.

A nossa política em relação ao Dalai Lama não muda há décadas: isto é, enquanto o Dalai Lama estiver disposto a reconhecer que o Tibete é parte inalienável do território da China e desde que desista de actividades separatistas, estamos dispostos a contactar e a conversar com ele ou com os seus representantes.

Agora, sinceridade é a chave para o resultado das conversações. Depois do incidente dos anos 1950, o mais alto dignitário do governo central, o Sr. Deng Xiaoping, também se encontrou com os representantes do Dalai Lama.

Por isso penso que não há qualquer problema em relação ao meu contacto com o Dalai Lama. O ponto fulcral reside na eficiência do contacto e das conversações.

Esperamos que possa usar acções reais e mostrar sinceridade e acabar com o impasse.

Zakaria: O que gostaria que o Dalai Lama fizesse para mostrar sinceridade?

Wen Jiabao: Na verdade, já tornei claro que quando observamos alguém, incluindo o Dalai Lama, deveríamos não observar apenas o que diz, mas também o que faz.

A sua sinceridade pode ser demonstrada desistindo de actividades separatistas.

Zakaria: E quando é que se vai encontrar com o Dalai Lama?

Wen Jiabao: Até lá, tudo depende do desenvolvimento da situação. É claro, as negociações podem continuar, e tendo em vista o progresso das conversações, possamos considerar aumentar o nível das conversações.
In

1 comment:

Mundo Livre said...

para sempre queremos Um Tibet como sempre foi LIVRE.
Não desesperais, a verdade aparecerá.